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O Surf Baiano!


Ilhéus, 30 anos de surf
Data: 22 de Fevereiro de 2009

(por Ader Oliveira )

O “esporte dos reis” sempre teve fortes laços com o município ilheense. Os 92 km de costa marítima já revelaram dezenas de surfistas talentosos. Tudo começou no verão de 1973, quando Washington Soledade comprou uma prancha de madeirite em Salvador.

Dois meses depois, foi a vez de Cezar Falcão começar a freqüentar a praia da Avenida junto com o irmão Edgar, que não levou o esporte adiante. Paulo Campos, o “Paulety”, decidiu fazer companhia ao amigo Washington e também se apaixonou pelo surf.

Em 1975, Cezar abriria a Ressaca Surf Shop, primeira loja de surf na cidade. A Ressaca “passou” alguns anos depois, mas Falcão promete que em pouco tempo ela estará de volta.

Os pioneiros eram bastante discriminados quando começaram a difundir o esporte na cidade. “O padre pregava nas missas que estávamos deteriorando a juventude e que éramos exemplos de vagabundos e drogados. Ele queria que a gente fosse expulso da cidade”, revela Cezar Falcão.

O surf começou a evoluir na cidade quando o hoje jornalista Dirceu Góes ganhou de seus primos de Santos (SP) a primeira prancha de fibra de vidro na história do surf ilheense. Feita com um material muito mais leve, possibilitando a execução de manobras na onda, as pranchas de fibra de vidro modernizaram o esporte em todo o mundo.

Logo os talentos começaram a despontar. Em 1978, Zé Marco tornou-se o primeiro atleta de Ilhéus a conquistar o campeonato baiano. Entrou a década de 80, talvez a época que mais tenha marcado o surf no Brasil e no mundo.

A geração daquela época foi inspirada pelos filmes “Menino do Rio” e “Garota Dourada”, que tinham como personagem principal o ex-cabeludo André Di Biase, representado nas cenas de surf pelo carioca Cauli Rodrigues.

Embalados pela trilha sonora destes filmes, os jovens daquela época revolucionaram a maneira de surfar. “Foi ali que começaram manobras como aéreo, 360º, batida rock’n roll, floater e algumas loucuras que na época nem tinham nome”, recorda Gabriel Macedo.

Vieram surfistas como Jojó de Olivença, os irmãos Adalvo e Jânio Argolo, Barrão, Marcos “Secão”, “Homem Velho”, “Dão”, Alípio “Johnnys”, Aurélio B. e “Nêgo” Adílson, que tinha um dos surf mais radicais de Ilhéus e talvez até do Brasil, já que recebeu grandes elogios do melhor surfista do Brasil naquela época, Picuruta Salazar.

“A maioria destes surfistas começou no final dos anos 70 e serviu de referência para a nova geração, pois era um privilégio para muitos começar a pegar onda tendo ao nosso lado atletas de nacional”, comenta Gabriel.

No primeiro evento realizado nas ondas do Backdoor, em Olivença, uma final histórica. Jânio Argolo e o santista Picuruta Salazar se enfrentaram em condições épicas, com altas ondas e um grande público prestigiando a competição.

A cada onda surfada, os finalistas saíam pela Prainha e voltavam ao Backdoor correndo pelas pedras, ovacionados pela platéia e autoridades presentes.

Jânio não conseguiu vencer, mas tornou-se o herói da competição, já que honrou a cidade de Ilhéus surfando pau a pau com o melhor surfista do Brasil.

Em meados da década apareceram alguns talentos que marcaram uma das épocas mais concorridas do surf ilheense, já que disputavam de igual para igual com os mais velhos no esporte: Duda Barreto, Brício Argolo, Kleber “Culão”, Gabriel Macedo, Marcos “Gaiá” Leal e Arthur “Pitú” Leal.

Tempo de boas e grandes ondas era comum. “Quem estava aprendendo a pegar onda demorava mais de um mês para conseguir entrar no mar”, revela Brício.

Em 1983, foi fundada a Associação Ilheense de Surf (AIS), que serviu como uma grande alavanca para o surf baiano. No primeiro ano de fundação, tivemos grandes eventos e a presença de grandes nomes do surf brasileiro, como Picuruta Salazar, Taiu Bueno, Nélson Ferreira, Almir Salazar, Bito, Kizumba, Magnos Dias, Davi Huzadel, Paulo Kid e os nordestinos Sergio Testinha, Tadi, Zezito Barbosa, Pereira e Carlos Burle, além da galera de Salvador, que tinha como destaques Hilton Issa e Guiga Matos.

Em 86, teve início um dos melhores e mais organizados circuitos municipais do país, composto de cinco etapas. O campeão foi o então jovem Brício Argolo, com Gabriel Macedo em segundo, Jojó de Olivença em terceiro e Adalvo Argolo em quarto.

O Circuito teve como grande incentivador e organizador o incansável Sergio Leal*, o “Nadador”, que levava o surf competição muito a sério.
No mesmo ano, a AIS promoveu a entrega do “Oscar do Surf” para várias autoridades do município, como o prefeito Jabes Ribeiro e a primeira-dama Adriana Ribeiro, eleita a madrinha do surf, além de outras figuras importantes da sociedade Ilheense que incentivavam a prática do esporte.

“Esta festa foi mesmo inesquecível, pois tivemos a honra de assistir um vídeo em formato super 8 do Espigão quebrando de 8 a 10 pés, com a geração dos anos 70 se atirando numas morras que à primeira vista lembravam o Havaí”, conta Gabriel.

Segundo o atual presidente da Associação Ilheense de Surf (AIS), Aderino França, o “Oscar do Surf” estará de volta no final do Circuito Ilhéus 30 anos de Surf.

No final dos anos 80, outra geração muito talentosa começava a despontar. Flávio Duarte, Juci Santos, Jaime Quirino, Pincel, Zé Pereba e os irmãos Bruno e Wilson Nora davam seus primeiros passos nas competições. Rodrigo Barreto e Mauricio Torres foram dois dos melhores talentos que já surgiram em Ilhéus.

Maurício era um surfista nato. Com apenas um ano de prática, já surfava no mesmo nível dos mais experientes. Ele venceu alguns dos campeonatos mais importantes de Ilhéus, como a Festa do Cacau e Inter Brasil, eventos que contavam com a participação dos melhores surfistas brasileiros.

E Ilhéus não parava de produzir novas safras no surf. No início dos anos 90, surfistas como Guigão Nora, Plínio Torres, Jerônimo Bomfim, Flávio Costa, Sandro Grossinho, Mauricio Weyll, Jaime Quirino, Sânio Carvalho*, Batata, Charles Costa, Júnior Bohana, Charles Chaves, Ivan de Olivença, David do Skate, Marcelo Alves, George Bonfim e Quibinho deram continuidade ao processo de evolução.

Esta década teve uma das melhores diretorias à frente da AIS. Dirceu Góes e Paulety Campos fizeram um excelente trabalho no surf ilheense, realizando diversos eventos de alto nível, como o Seaway Nordeste, em 94, que levou mais de cinco mil pessoas à praia de Batuba, em Olivença, e ganhou grande destaque na imprensa nacional.

O tempo passa, mas o surf ilheense segue produzindo grandes atletas. A nova geração vem conquistando muitos títulos pela Bahia afora. Dennis Tihara, Bruno Galini, Rudá Carvalho, Flávio Galini, Arthur Maroto, Thiago Silva e Max Roosli, de apenas 10 anos, são os maiores destaques do surf amador ilheense no momento.


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